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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Poema poroso


*“De terra te quero;
                          poema,
e no entanto iluminado.

                                     De terra
o corpo perpassado de eclipses,
poroso
poema
            de poeira –
            onde berram
suicidas e perfumes;
                                 assim te quero
sem rosto
e no entanto familiar
                               como o chão do quintal
(sombra de todos nós depois
                  e antes de nós
quando a galinha cacareja e cisca).

                                   De terra,
onde para sempre se apagará
                 a forma desta mão
                 por ora ardente.”


Poema encontrado na obra “Barulhos”, de *Ferreira Gullar. Há algo que quer ser revelado e outra força que quer ocultar.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

As peras


*“(...)
As peras, no prato,
apodrecem.
O relógio, sobre elas,
mede
a sua morte?
Paremos a pêndula. De-
teríamos, assim, a
morte das frutas
Oh as peras cansaram-se
de suas formas e de
sua doçura ! As peras,
concluídas, gastam-se no
fulgor de estarem prontas
para nada.
O relógio
não mede. Trabalha
no vazio: sua voz desliza
fora dos corpos.
(…)”

Pela significação das palavras de *Fernando Gullar no seu “Poema Sujo” produzido no exilo em Buenos Aires, faz eu viajar e me leva lembrar a minha infância.