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sábado, 2 de janeiro de 2016

Passagem do ano

Por Lislair Leão Marques

“... O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
O recurso da bola colorida,
O recurso de Kant e da poesia,
Todos eles... e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano.
As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
Lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, subreptícia.”


 Do poema de Carlos Drummond de Andrade.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

2015: é doce morrer


Morri em 2015 com o peso das perdas. Morri com as pessoas, minhas e queridas, que se foram. Morri com as crianças esquecidas e o terrorismo. Morri com o peso da corrupção e dinheiro desviado. Morri com a falta de atenção à saúde pública e também da educação. Morri com a falta de bom senso dos quem exercem o poder de manipulação. Morri com a morte do Rio Doce, que desaguou no mar, como que se redime. Consciência leve nos traga o futuro, uma nova chance de salvação.