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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Desver


“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara” já dizia o escritor Saramago quando retratava a cegueira da humanidade nos tempos atuais em um de seus últimos livros. Com tantas distrações que nos cercam parece que a sociedade perdeu de vista a capacidade de ir além daquilo que é superficial – de analisar ou observar determinadas situações. Tem coisas que de fato à primeira vista nos fazem a perder de vista. Encararemos um pouco melhor certas coisas em que desver é preciso, se fecharmos os olhos e refletir.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Mulher


Sobre a mulher, a escritora Simone de Beauvoir afirma: "Não se nasce mulher: torna-se.” Enquanto para a visão do grande escritor português, José Saramago, no “El Tiempo” em 2007, desabafa: "Se virmos a realidade, as mulheres são mais sólidas, mais objetivas, mais sensatas. Para nós, são opacas: olhamos para elas, mas não conseguimos entrar lá dentro. Estamos tão empapados de uma visão masculina, que não entendemos. Em contrapartida, para as mulheres nós somos transparentes. O que me preocupa é que, quando a mulher chega ao poder, perde isso tudo."

terça-feira, 22 de julho de 2014

Intimidade


*“No coração da mina mais secreta,
No interior do fruto mais distante,
Na vibração da nota mais discreta,
No búzio mais convolto e ressoante,

Na camada mais densa da pintura,
Na veia que no corpo mais nos sonde,
Na palavra que diga mais brandura,
Na raiz que mais desce, mais esconde,

No silêncio mais fundo desta pausa,
Em que a vida se fez perenidade,
Procuro a tua mão, decifro a causa
De querer e não crer, final, intimidade.” 


Poesia de *José Saramago, in “Os Poemas Impossíveis”, de 1966.

Há de haver


*“Há de haver uma cor por descobrir,
um juntar de palavras escondido.
Há de haver uma chave para abrir
a porta deste muro desmedido.

Há de haver uma ilha mais ao sul,
uma corda mais tensa e ressoante,
outro mar que nade noutro azul,
outra altura de voz que melhor cante.

Poesia tardia que não chegas
A dizer nem metade do que sabes:
Não calas, quanto podes, nem renegas
Este corpo de acaso em que não cabes.”

Poesia do escritor *José Saramago, in “Os Poemas Impossíveis”, de 1966.