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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Vãs são as palavras


*“As repúblicas bem organizadas e administradas não deram muita importância aos oradores.(...) Sócrates e Platão definem a oratória como a arte de enganar e adular. E os que se erguem contra esta definição geral, comprovam-na em seus preceitos.(...) Trata-se de um instrumento muito adequado a excitar ou acalmar o populacho alvoroçado e que, como a medicina, só se aplica aos Estados enfermos.” Pois, como já dizia um antigo retórico, sua profissão,  consiste em fazer com que as coisas pequenas parecerem grandes e como tal se aceitassem.

Disse *Montaigne.

domingo, 20 de março de 2016

Palavras


* "Abro a gaveta, e salta uma palavra:
dança sedutora sobre o meu cansaço,
veste-se de indefinições, vagueia
no labirinto das ambiguidades.
Acha graça de mim, que espero à frente
encontrar a solução dos meus enigmas.
(...)
mas ela decide meus passos: peso de fruta
no sono da semente, assiste à minha luta
quando a desejo aprisionar, e às vezes até finge
que sou eu a senhora, a domadora, a fonte.
As palavras riem dos poetas, pois são livres:
nós, mediação incompetente."

Do poema “Limites” da escritora *Lya Luft

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Sem palavras


Quando mãe morre, parte de nós também vai embora. Quando pai morre, outra parte de nós vai embora. Assim é com todas as pessoas queridas da nossa vida que se vão. Com eles, vamos morrendo aos pouco. Ocasiões em que as palavras se mostram rasas, que não dão conta das emoções. Energia que se esvai. Parte da gente fica a desvendar o mistério. Talvez só arte possa cumprir o papel de desanuviar a realidade. Arte para mostrar o sentimento cujas palavras já não mais se deixam capturar.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Potência


"Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Ai, palavras, ai, palavras,
sois de vento, ides no vento,
no vento que não retorna,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!

Sois de vento, ides no vento,
e quedais, com sorte nova!

Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!

Todo o sentido da vida
principia à vossa porta;
o mel do amor cristaliza
seu perfume em vossa rosa;
sois o sonho e sois a audácia,
calúnia, fúria, derrota...”


Trecho: “Romance das Palavras Aéreas”

Ai


*“Ai, palavras, ai, palavras,
mirai-vos: que sois, agora?
- Acusações, sentinelas,
bacamarte, algema, escolta;
- o olho ardente da perfídia,
a velar, na noite morta;
- a umidade dos presídios,
- a solidão pavorosa;
- duro ferro de perguntas,
com sangue em cada resposta;
- e a sentença que caminha,
- e a esperança que não volta,
- e o coração que vacila,
- e o castigo que galopa...

Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!”

Parte do poema “Romance das Palavras Aéreas” de *Cecília Meireles.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Amizade


*“Ninguém gosta de ser metido a besta ou a moralista. Eu também não gosto. No entanto, já não era a mesma coisa, nem em meu coração, nem em meu espírito. Quando uma antiga amizade não se refaz por completo, é na cabeça que a gente sente mais. Mas de que servem estas palavras? A coisa toda era muito mais complicada do que eu pude imaginar e jamais conseguirei explicá-la direito.”

*Ernest Miller Hemingway (21/7/1899-2/7/1961), romancista norte-americano. Autor “Por Quem os Sinos Dobram” e “O Velho e o Mar”.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Certas Palavras


*“Certas palavras não podem ser ditas
em qualquer lugar e hora qualquer.
Estritamente reservadas
para companheiros de confiança,
devem ser sacralmente pronunciadas
em tom muito especial
lá onde a polícia dos adultos
não adivinha nem alcança.

Entretanto são palavras simples:
definem
partes do corpo, movimentos, actos
do viver que só os grandes se permitem
e a nós é defendido por sentença
dos séculos.

E tudo é proibido. Então, falamos.”

Poema de *Carlos Drummond de Andrade, (outubro de 1902 – agosto de 1987), escritor, poeta e cronista brasileiro, meu preferido. 

segunda-feira, 17 de março de 2014

Palavras


Há momentos que as emoções não cabem em si: eclodem! Sem pensar, balbuciamos coisas. Palavras que se repercutem. Receptores com tento captam suas ondas e vibrações. Sinais que ressoam em nossas mentes por muitos anos, senão para sempre. Palavras boas, ternas e doces: aquelas que nos tocam, nos acalantam e nos animam. Muitas vezes sua ausência, o silêncio, é mais valiosa. Quando os ruídos nos atingem, palavras ruins nos ferem. Quem sente esta lesão jamais a esquece. Palavras que nos machucam, quem sabe se deixa para o amanhã!