segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Trabalho


*“Existe o trabalho do homem, a ascese, a liberdade do homem e, ao mesmo tempo, a graça. É como o pássaro que, para voar, tem necessidade de duas asas, ou seja, de sua liberdade, de seu trabalho interior e, ao mesmo tempo, da graça, isto é, da nascente que jorra em direção seu esforço – ao ato de escavar. Por um lado, o trabalho do homem procura Deus, por outro, como Fonte de água viva, Deus empenha-se unicamente em comunicar-se e manifestar-se a cada um de nós.”


*Yves Le-Loup

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Oferecimento de si mesmo


Por Lislair Leão Marques

*“Tomai Senhor e recebei toda a minha liberdade. A minha memória também. O meu entendimento e toda a minha vontade. Tudo o que tenho e possuo, vos me deste com amor. Todos os dons que me destes, com gratidão, vos devolvo. Disponde deles, Senhor, segundo a vossa vontade. Daí-me somente o vosso amor, vossa graça. Isto, me basta. Nada mais quero pedir.” ...mas, Senhor, que não acabe nunca a areia do mar, o rumor das águas, o relâmpago do céu.

Oração pelas palavras do *Santo Inácio de Loyola.

A arte da atenção


Por Lislair Leão Marques

A atenção constitui um momento único em que o coração e a inteligência podem estar juntos. Ela é a prece natural da nossa alma. É mudar e se transformar. Ela nos faz voltar do exílio que é o esquecimento do Ser. A atenção pode, ainda, nos deixar sair do inferno – pois, esse é a ausência da misericórdia –. Observe, então, a fim de elevares ao conhecimento. Veja, se queres prestar atenção a Deus, preste atenção a ti mesmo. Pensares de Jean Yves Le-Loup em “A arte da atenção”.

Sede passantes


Por Lislair Leão Marques

Só o amor é o mais forte, pois quem ama, compreende. Quem compreende, perdoa. O amor é mais forte do que a tolice. O amor é mais forte do que o sofrimento. O amor é mais forte do que a morte. Se possuirmos esse entendimento, essa fé, a adesão ao ser essencial, essa luz que não poderá ser simplesmente extinta, transformaremos o que não nos tem saída, as pedras que encontramos ou nossos muros que às vezes nós próprios criamos, em caminhos e lugares de passagem. Sede passantes.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Amarelinha


Por Lislair Leão Marques

*Procuro o céu insistentemente
como toda a gente,
jogando com a vida
como uma pedrinha
na amarelinha.
De pulo em pulo,
um só pé no chão,
sinto a realidade.
A outra metade é sonho, ilusão.
Assim me equilibro com dificuldade.
Se a pedra cai fora,
então recomeço.
Se a pedra cai dentro,
me ajeito e me apresso.
A meta é no alto
e de salto em salto
disputo comigo.
Às vezes me alegro,
às vezes me exalto.
Será que eu consigo?


Poema de autoria da poetisa *Flora Figueiredo.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Paciência

Por Lislair Leão Marques

*(...)
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
(...)

*Drummond

Procura da Poesia

Por Lislair Leão Marques 

*(...)Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.


Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.

Parte do poema “Procura da Poesia” do poeta *Carlos Drummond de Andrade.