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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Não pensar!


* “Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,(...)”


*Fernando Pessoa

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Legado


Todas as plantinhas que meu pai plantou e deixou, rego com um sentimento tal qual este belo poema de *Lya Luft.

*”Foi meu pai quem plantou esse álamo
no meu jardim. Podou seus ramos,
e desde então seus dedos se multiplicaram,
sua voz se perpetuou em folhas
depois de cada inverno.

E quando o vento perpassa
os altos ramos do álamo generoso,
o tempo se dá por vencido,
a dor recolhe suas asas:
meu pai conversa comigo,
andando pela calçada
entre o meu coração e a sua morte.”

domingo, 11 de setembro de 2016

Lira do amor romântico - parte 4


*”(...)Atirei um limão n’água,
não fez o menor ruído.
Se os peixes nada disseram,
tu me terás esquecido?

Atirei um limão n’água,
caiu certeiro: zás-trás.
Bem me avisou um peixinho:
Fui passado pra trás.

Atirei um limão n’água,
de clara ficou escura.
Até os peixes já sabem:
você não ama: tortura.

Atirei um limão n’água
e caí n’água também,
pois os peixes me avisaram,
que lá estava meu bem.

Atirei um limão n’água,
foi levado na corrente.
Senti que os peixes diziam:
Hás de amar eternamente.”

*Carlos Drummond

Lira do amor romântico - parte 3


*”(...)Atirei um limão n’água,
fez-se logo um burburinho.
Nenhum peixe me avisou
da pedra no meu caminho.

Atirei um limão n’água,
de tão baixo ele boiou.
Comenta o peixe mais velho:
Infeliz quem não amou.

Atirei um limão n’água,
antes atirasse a vida.
Iria viver com os peixes
a minh’alma dolorida.

Atirei um limão n’água,
pedindo à água que o arraste.
Até os peixes choraram
porque tu me abandonaste.

Atirei um limão n’água.
Foi tamanho o rebuliço
que os peixinhos protestaram:
Se é amor, deixa disso.

(...)”

*Carlos Drummond

Lira do amor romântico - parte 2


*”(...)Atirei um limão n’água,
ele afundou um barquinho.
Não se espantaram os peixes:
faltava-me o teu carinho.

Atirei um limão n’água,
o rio logo amargou.
Os peixinhos repetiram:
É dor de quem muito amou.

Atirei um limão n’água,
o rio ficou vermelho
e cada peixinho viu
meu coração num espelho.

Atirei um limão n’água
mas depois me arrependi.
Cada peixinho assustado
me lembra o que já sofri.

Atirei um limão n’água,
antes não tivesse feito.
Os peixinhos me acusaram
de amar com falta de jeito.

(...)”

*Carlos Drummond

Lira do amor romântico - parte 1


*”Atirei um limão n’água
e fiquei vendo na margem.
Os peixinhos responderam:
Quem tem amor tem coragem.

Atirei um limão n’água
e caiu enviesado.
Ouvi um peixe dizer:
Melhor é o beijo roubado.

Atirei um limão n’água,
como faço todo ano.
Senti que os peixes diziam:
Todo amor vive de engano.

Atirei um limão n’água,
como um vidro de perfume.
Em coro os peixes disseram:
Joga fora teu ciúme.

Atirei um limão n’água
mas perdi a direção.
Os peixes, rindo, notaram:
Quanto dói uma paixão!

(...)”

*Carlos Drummond

sábado, 10 de setembro de 2016

Soneto XXI de Pablo Neruda


”Oh que todo o amor propague em mim sua boca,
que não sofra um momento mais sem primavera,
eu não vendi senão minhas mãos à dor,
agora, bem-amada, deixa-me com teus beijos.

Cobre a luz do mês aberto com teu aroma,
fecha as portas com tua cabeleira,
e em relação a mim não esqueças que se desperto e choro
é porque em sonhos apenas sou um menino perdido,(...)

Oh, bem-amada, e nada mais que sombre
por onde me acompanhes em teus sonhos
e me digas a hora da luz.”

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

As sem-razões do amor


*“Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
E nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
E com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
É semeado no vento,
Na cachoeira no eclipse.

Amor foge a dicionários
E a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
Bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
Nem se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
Feliz e forte em si mesmo.

(..)”

*Drummond

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

O amor antigo


*“O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

(...)o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mais pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.”

*Drummond

segunda-feira, 11 de julho de 2016

O Amor


* “– E é isso então o amor, irmãos?

Não, o amor também é lampião longe no mar
é vela acesa pagando promessa
e talvez por ignorância e sem pressa
o amor é só amor, simples como o ar
nas pessoas que vivem a amar

E o amor está ali na sopa fumegando
no botão bem pregado
no chá pro resfriado
...
nos cabelos penteados
nas cartas nos selos
em tudo está ao nosso lado
o amor, coisa dos humanos”

Palavras de *Domingos Pellegrini, no livro "O Tempero do tempo"

terça-feira, 15 de março de 2016

As duas flores

*”São duas flores unidas,
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.
Unidas, bem como as penas
Das duas asas pequenas
De um passarinho do céu…
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.
(...)
Unidas… Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rodas da vida,
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!”

As duas flores, *Castro Alves.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Flor


Palavras do escritor Paulo Coelho, cheias de verdade: “Quem tentar possuir uma flor, verá sua beleza murchando. Mas quem apenas olhar uma flor no campo permanecerá para sempre com ela. Você nunca será minha e por isso terei você para sempre.”

Amo flores, de quase todas as espécies: suas cores, formas e perfumes. Gosto das que eu planto e cuido, das que brotam das árvores ou que nascem nos campos. Às vezes rendo-me em apanhá-las... Curto ter arranjos dentro de casa. Reparo-as para não murcharem e dão-me cores.

Verdade


De São Bernado de Claraval: “O verdadeiro amor nasce de um coração puro, de uma consciência boa e de uma fé sincera, e ama o bem do próximo como se fosse seu”. E se ama o bem do próximo como se fosse seu: há algo mais forte que as forças do coração? A razão se combate com forças da razão? Se o amor é a finalidade, a condescendia é o caminho. Premissa para que o cotidiano nos pulse com jeito tranqüilo. E a vida seja cheia de graça!

terça-feira, 8 de março de 2016

Pão


*”Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.

Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma
o pão místico do banquete divino.
Todas essas coisas, o amor operará em vós
Para que conheçais os segredos de vossos corações
E, com esse conhecimento,
Vos convertais (...).”


Parte do poema “O Amor”, escrito por *Khalil Gibran.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Fidelidade


Fidelidade eu prometo, como:

* “De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

(...)

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.”



Do poema “Soneto da Fidelidade”, de *Vinicius de Moraes. 

O Amor


“Eis que os seres humanos, inicialmente eram de três tipos: homem, mulher e andróginos. E eram também duplicados e unidos pelo umbigo. Zeus, temendo a presunção de tanta auto-suficiência, para enfraquecê-los, divide-os em dois e cada uma das partes passará a vida à procura de sua outra metade original, (...)

Para Aristófanes, o Amor é justamente essa busca constante e incansável por sua outra metade a fim de se restabelecer o original e primitivo “todo”.


Do clássico livro “O Banquete” de Platão, escrito por volta de 380 a.C..

quinta-feira, 3 de março de 2016

Desvelo


Tu és importante pra mim. Entenda isto: o que acontece contigo é como se acontecesse comigo, sem afetação. Meu zelo não é só para te proteger: eu quero teu bem estar. É um querer que estejas sempre livre, pois tu és para mim um ente mais que todos outros. Meu obvio afeto por ti se manifesta assim, é espontâneo e singelo, aceite! Acredite! Deixa este momento fluir para eu ser feliz, para tu ser feliz, para nós sermos felizes. E que este sentimento, Deus permita, perdure sempre. Combinado!

quarta-feira, 2 de março de 2016

Arte de Amar


*”Se queres sentir a felicidade de amar,
Esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.
Deixe o teu corpo entender-se com outro corpo,
porque os corpos se entendem, mas as almas não.”


Arte de Amar, poema do pernambucano *Manoel Bandeira (19/04/1886 – 13/10/1968). Ele foi poeta crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor. Sua literatura tem abordagens temáticas cotidianas e universais. 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Se o Amor Vier


* “Você sabe de onde eu vim
Você sabe que horas são
Você não sabe de nada não
Aprendi a recompor
A me desatar o nó
Hoje estou bem
Hoje estou bem melhor
Você sabe onde eu nasci
Você sabe onde eu me perco
Você não sabe da missa o terço
Consegui não me afogar
Enganei até a morte
Hoje estou bem
Hoje estou bem mais forte
Divido em vida o meu tesouro
Ainda acho pouco
Seja o que Deus quiser
...”

Canção* “Se o Amor Vier” de Fagner.

O Amor


* “Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos
Como o vento devasta o jardim.
Pois, da mesma forma que o amor vos coroa,
Assim ele vos crucifica.
E da mesma forma que contribui para vosso crescimento,
Trabalha para vossa poda 

...”
Do poema “O Amor” do poeta de Gibran Khalil Gibran.