quinta-feira, 28 de abril de 2016

Borboletas


*”Borboletas me convidaram a elas.
O privilégio insetal de ser uma borboleta me atraiu.
Por certo eu iria ter uma visão diferente dos homens e das coisas.
Eu imaginava que o mundo visto de uma borboleta seria, com certeza, 
um mundo livre aos poemas.
Daquele ponto de vista:
(...)
Vi que as andorinhas sabem mais das chuvas do que os cientistas.

Poderia narrar muitas coisas ainda que pude ver do ponto de vista de 
uma borboleta.

Ali até o meu fascínio era azul.”

Poema de *Manoel de Barros.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

O vento


* “O vento é um inveterado ledor de tabuletas. E, com toda aquela pressa, é exatamente o contrário do leitor apressado: não salta uma só que seja, não perde nenhuma delas, lê e passa – que o seu destino é passar –, mas guarda uma lembrança vertiginosa de todas, principalmente das verdes, das vermelhas, (...) ...

Sabes? Passa no vento a alma dos pintores mortos, procurando captar, levar (para onde?) as cores deste mundo.

Que este mundo pode ser que não preste, mas é tão bom de ver!”

*Mario Quintana

quinta-feira, 31 de março de 2016

Importa

*“Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
(...)

Depois prenderam os miseráveis
Mas eu não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.”


Do célebre poema de *Bertolt Brecht, dramaturgo, poeta e encenador alemão do  século XX.

domingo, 20 de março de 2016

Palavras


* "Abro a gaveta, e salta uma palavra:
dança sedutora sobre o meu cansaço,
veste-se de indefinições, vagueia
no labirinto das ambiguidades.
Acha graça de mim, que espero à frente
encontrar a solução dos meus enigmas.
(...)
mas ela decide meus passos: peso de fruta
no sono da semente, assiste à minha luta
quando a desejo aprisionar, e às vezes até finge
que sou eu a senhora, a domadora, a fonte.
As palavras riem dos poetas, pois são livres:
nós, mediação incompetente."

Do poema “Limites” da escritora *Lya Luft

quinta-feira, 17 de março de 2016

Onde andas?


... se a mim ... a voz... ao longe ... perguntasse... onde andas? ... onde queres chegar? ... ao longe... por onde andas ... se tu és minha... e és voz... no longe... de onde ecoas... por certo... eu posso estar... com quem caminhas?... e a quem escutas?... insiste... a perguntar... caminho só... escuto a voz... que és minha... e só voz... e quando escuto ... quando ecoas ... és o caminho ... não ando só ... se a mim ... ao longe ... a voz ... apenas perguntasse...

Roubar


*“Existe apenas um pecado, um só. E esse pecado é roubar. Qualquer outro é simplesmente a variação do roubo. Quando você mata um homem, está roubando uma vida, está roubando da esposa o direito de ter um marido, roubando dos filhos o direito de ter um pai. Quando você mente está roubando o direito de saber a verdade. Quando você trapaceia, está roubando de alguém o direito à justiça. Entende. Não há ato mais infame que roubar.”

De *Khaled Hosseini

terça-feira, 15 de março de 2016

Um novo dia amanhece

Por Artur Osório

...  e quando... eu me sinto perdido... um novo dia amanhece... e ele novamente me abraça... de longe... me fala de coisas... que apenas de nós... tem passado e futuro... e fica ao meu lado... como se vivesse o presente... imóvel... e quase ausente... sorri e passa a mão nos cabelos... estranhamente me move... e me deixa... como quem vai... e não volta... mas eu nunca fico só... quando eu me sinto perdido... pois ele me abraça de longe ... e então ... um novo dia amanhece ...