Por
encargo da inteligência inominável da natureza, em terras virgens, ricas e
férteis, brotam matas retorcidas, vigorosas e selvagens. O homem para tirar seu
proveito, labora: destrói a flora, revolve o solo e semeia o que lhe parece ser
útil. Com ou sem consistência mesmo que disciplinadamente, ele faz fecundar
sementes de uma única espécie. Forjando ilusões, a quimeras de um futuro
próspero. Objetivo é preciso, pois a alma tresmalha. O campo da imaginação
envereda até que a última gota d’agua naquele lugar seque e tudo vira deserto.
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
O amor antigo
*“O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.
O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.
(...)o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.
Mais ardente, mais pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.”
*Drummond
sábado, 3 de setembro de 2016
Medo
Sinto-me
presa ao solo onde eu nasci, imobilizada, num estado de enorme conforto. Aqui,
não tenho medo. Quem me sacudiria desse estado e poria asas aos meus sonhos?
Quem, senão o medo redobraria a minha coragem de querer voar? Medo de quê? Que
esforço empreenderia para ter o medo, se a coisa que mais tenho medo no mundo é
abafar meus sentimentos, me combater e me ferir. Que a vida pacata, insuportável
medo, não vai me combalir. Temo a Deus, sim! Rezo o traçado que Ele me propõe.
terça-feira, 30 de agosto de 2016
Da responsabilidade
Pelo
pensamento Montaigne é justo diferenciar um erro devido à fraqueza de ânimo da
falta por má índole. Neste caso, a ação é com pleno conhecimento de causa. No
outro, invoca-se a própria natureza, do qual provém a fraqueza e imperfeição, da
pusilanimidade. Na sua lógica, podem-se responsabilizar os culpados em ambas as
ações e assim censuram e condenam os infiéis. A vergonha é o castigo que revive
a coragem. Quando a falta evidencia a coragem fora do comum, é racional
considerá-la ato malicioso e punir-se-á nesta qualidade.
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
Vãs são as palavras
*“As
repúblicas bem organizadas e administradas não deram muita importância aos
oradores.(...) Sócrates e Platão definem a oratória como a arte de enganar e
adular. E os que se erguem contra esta definição geral, comprovam-na em seus
preceitos.(...) Trata-se de um instrumento muito adequado a excitar ou acalmar
o populacho alvoroçado e que, como a medicina, só se aplica aos Estados
enfermos.” Pois, como já dizia um antigo retórico, sua profissão, consiste em fazer com que as coisas pequenas
parecerem grandes e como tal se aceitassem.
Disse *Montaigne.
Disse *Montaigne.
segunda-feira, 11 de julho de 2016
É preciso
* “As muito
feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
(...)
Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso
que súbito tenha-se a
impressão de ver uma
garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só
encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas
que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso,
é absolutamente preciso.”
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
(...)
Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso
que súbito tenha-se a
impressão de ver uma
garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só
encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas
que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso,
é absolutamente preciso.”
*Vinícius de Moraes
O Amor
* “– E é isso então o
amor, irmãos?
Não, o amor também é lampião longe no mar
é vela acesa pagando promessa
e talvez por ignorância e sem pressa
o amor é só amor, simples como o ar
nas pessoas que vivem a amar
E o amor está ali na sopa fumegando
no botão bem pregado
no chá pro resfriado
...
nos cabelos penteados
nas cartas nos selos
em tudo está ao nosso lado
o amor, coisa dos humanos”
Palavras de *Domingos Pellegrini, no livro "O Tempero do tempo"
Não, o amor também é lampião longe no mar
é vela acesa pagando promessa
e talvez por ignorância e sem pressa
o amor é só amor, simples como o ar
nas pessoas que vivem a amar
E o amor está ali na sopa fumegando
no botão bem pregado
no chá pro resfriado
...
nos cabelos penteados
nas cartas nos selos
em tudo está ao nosso lado
o amor, coisa dos humanos”
Palavras de *Domingos Pellegrini, no livro "O Tempero do tempo"
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