quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Hibiscus


Brisa fresca na tardinha de verão. Estou de cabelos soltos e molhados. Quero saber como estão os hibiscos no jardim, em forma e cor, tal é sua perfeição. Matizes da cor rosa meio nervuras brancas das cinco pétalas. Cinco estigmas, meio a estames de amarelo vivo. Exuberantes nos galhos, cercados de folhas de um verde intenso. Antes que o sol se rompa, quero aspirar o perfume desta flor, assim como atraída pelo beija-flor que e o alimenta. O encantamento e segredo garantem minha calma e adormecerei tranquila.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Mofo

Por Lislair Leão Marques

Uma tarde quente e úmida. Dentro de casa, frescor suave. A rua tranquila. Uma xícara de café e um copo d’agua a borbulhar. Um computador, tempo e tudo para escrever o que me vier. Amo isto: silêncio, ausência. Calor e umidade que dá vida a biologia. Bolores crescem. Mas bem, minha companhia agora é um congestionamento nas minhas vias respiratórias. Isto: gripe e dor de cabeça. Do mofo deste verão. Dos papeis antigos que precisei manusear. Cresce também minha percepção. A vida nos dá aquilo que decidimos precisar.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Haja esperança!


Esgotadas as celebrações que marcaram a transição para o Ano Novo, depois de aceito todas as perdas e acertos do que foi passado, renovaram-se as esperanças. No entanto, haja fôlego pra reinstalar o cotidiano. De fato, o que mudou? A infra-estrutura? As contas para pagar? Os políticos? Os hipócritas? Os corruptos? A desenfreada velocidade cibernética? A quantidade de gente? A fome? A poluição? A estratosfera? O clima? O que nos resta senão a disposição de ter outro olhar sobre as coisas e encarar um jeito diferente? Haja esperança!

sábado, 2 de janeiro de 2016

Ano Novo, metas

Por Lislair Leão Marques

O balanço de avanços de 2015 e as metas de 2016 vieram-me junto à ideia que, se chegar à idade de meu pai, 88 anos, eu tenho 33 anos pela frente. Idade de vida de Cristo. Quero antes de tudo, que meu coração, relógio da vida, pulse sempre tranqüilo na companhia daqueles que me são preciosos – longe ou perto. Sem procrastinação ao clamor das coisas, tudo ao seu tempo. Que todo o dia eu acorde com chilrear dos pássaros e a disposição de cumprir e velar o Novo.

Passagem do ano

Por Lislair Leão Marques

“... O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
O recurso da bola colorida,
O recurso de Kant e da poesia,
Todos eles... e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano.
As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
Lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, subreptícia.”


 Do poema de Carlos Drummond de Andrade.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

2015: é doce morrer


Morri em 2015 com o peso das perdas. Morri com as pessoas, minhas e queridas, que se foram. Morri com as crianças esquecidas e o terrorismo. Morri com o peso da corrupção e dinheiro desviado. Morri com a falta de atenção à saúde pública e também da educação. Morri com a falta de bom senso dos quem exercem o poder de manipulação. Morri com a morte do Rio Doce, que desaguou no mar, como que se redime. Consciência leve nos traga o futuro, uma nova chance de salvação.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Sem palavras


Quando mãe morre, parte de nós também vai embora. Quando pai morre, outra parte de nós vai embora. Assim é com todas as pessoas queridas da nossa vida que se vão. Com eles, vamos morrendo aos pouco. Ocasiões em que as palavras se mostram rasas, que não dão conta das emoções. Energia que se esvai. Parte da gente fica a desvendar o mistério. Talvez só arte possa cumprir o papel de desanuviar a realidade. Arte para mostrar o sentimento cujas palavras já não mais se deixam capturar.