Uma
tarde quente e úmida. Dentro de casa, frescor suave. A rua tranquila. Uma xícara de café e um copo d’agua a borbulhar. Um computador, tempo e tudo para escrever
o que me vier. Amo isto: silêncio, ausência. Calor e umidade que dá vida a
biologia. Bolores crescem. Mas bem, minha companhia agora é um congestionamento
nas minhas vias respiratórias. Isto: gripe e dor de cabeça. Do mofo deste
verão. Dos papeis antigos que precisei manusear. Cresce também minha percepção.
A vida nos dá aquilo que decidimos precisar.
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
domingo, 3 de janeiro de 2016
Haja esperança!
Esgotadas
as celebrações que marcaram a transição para o Ano Novo, depois de
aceito todas as perdas e acertos do que foi passado, renovaram-se as esperanças.
No entanto, haja fôlego pra reinstalar o cotidiano. De fato, o que mudou? A
infra-estrutura? As contas para pagar? Os políticos? Os hipócritas? Os
corruptos? A desenfreada velocidade cibernética? A quantidade de gente? A fome?
A poluição? A estratosfera? O clima? O que nos resta senão a disposição de ter outro
olhar sobre as coisas e encarar um jeito diferente? Haja esperança!
sábado, 2 de janeiro de 2016
Ano Novo, metas
Por Lislair Leão Marques
O
balanço de avanços de 2015 e as metas de 2016 vieram-me junto à ideia que, se chegar à idade de meu pai, 88 anos, eu tenho 33 anos pela frente. Idade de vida
de Cristo. Quero antes de tudo, que meu coração, relógio da vida, pulse sempre tranqüilo
na companhia daqueles que me são preciosos – longe ou perto. Sem procrastinação
ao clamor das coisas, tudo ao seu tempo. Que todo o dia eu acorde com chilrear
dos pássaros e a disposição de cumprir e velar o Novo.
Passagem do ano
Por Lislair Leão Marques
“... O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
O recurso da bola colorida,
O recurso de Kant e da poesia,
Todos eles... e nenhum resolve.
O recurso da dança e do grito,
O recurso da bola colorida,
O recurso de Kant e da poesia,
Todos eles... e nenhum resolve.
Surge a manhã de um novo ano.
As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
Lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, subreptícia.”
As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
Lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, subreptícia.”
Do poema de Carlos
Drummond de Andrade.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
2015: é doce morrer
Morri em 2015 com o peso das perdas. Morri com as
pessoas, minhas e queridas, que se foram. Morri com as crianças esquecidas e o
terrorismo. Morri com o peso da corrupção e dinheiro desviado. Morri com a falta
de atenção à saúde pública e também da educação. Morri com a falta de bom senso
dos quem exercem o poder de manipulação. Morri com a morte do Rio Doce, que desaguou
no mar, como que se redime. Consciência leve nos traga o futuro, uma nova
chance de salvação.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
Sem palavras
Quando
mãe morre, parte de nós também vai embora. Quando pai morre, outra parte de nós
vai embora. Assim é com todas as pessoas queridas da nossa vida que se vão. Com
eles, vamos morrendo aos pouco. Ocasiões em que as palavras se mostram rasas,
que não dão conta das emoções. Energia que se esvai. Parte da gente fica a desvendar
o mistério. Talvez só arte possa cumprir o papel de desanuviar a realidade. Arte
para mostrar o sentimento cujas palavras já não mais se deixam capturar.
terça-feira, 24 de novembro de 2015
Elo
por Artur Osorio
"a mim ... ele me ensinou tudo ... ele me ensinou
a olhar para as coisas ... ele aponta todas as cores que há nas flores ... e me
mostra como as pedras são engraçadas ... quando a gente as têm nas mãos ... e
olha devagar para elas ... damo-nos tão bem um com o outro ... na companhia de
tudo ... que nunca pensamos um no outro ... vivemos juntos ... os dois ... como
um acordo íntimo ... como a mão direita e a esquerda"
Parte do Poema do Menino Jesus, de Maria Bethânia.
Parte do Poema do Menino Jesus, de Maria Bethânia.
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